Só agora compreendo Como é fácil apregoar, Num tom de estridente humildade, Faceira comiseração, Ramificada verdade, Encenada doação, A palavra FRATERNIDADE.
Para começar, E dar um tom plangente, Um quadro comovente, Afoga-se a palavra Em pretextos de amor e compaixão, Sofrimento a sofrimento, Lágrima a lágrima, Consciência a consciência, Hasteando afecto sazonado Num bizarro comércio de emoção.
Depois, a receita é fácil. Abrem-se as cortinas ao mundo, Apresenta-se a farsa habitual Da caridade pomposa, volátil, Ungida em rituais de esquiva intenção, E só resta aguardar, Num tom solene de ocasião, Que aplaudam o abnegado gesto Com lustrosa veneração.
Em seguida, Quando até o Universo queda Mudo, comovido, O Homem, Num gesto enfeitado De acomodada humanidade, Embrulha a fraternidade, Devagarinho, bem de mansinho, Para si, lançando-a, quando convém, Com inexorável alheamento, No limbo do esquecimento.
A.R -- "O homem que não está disposto a morrer por uma causa não é digno de viver". Martin Luther King
Até os anos 90, a igreja evangélica brasileira “ensaiou” um avivamento
missionário. O tema das missões tornou-se um assunto em pauta no Brasil,
e por aproximadamente duas décadas muitos missionários foram
despertados de todas as regiões do país para todos os limites do mundo.
Líderes brasileiros de missões passaram a configurar globalmente entre
os mais influentes pensadores da área; agências missionárias
verdadeiramente brasileiras começaram a emergir; as denominações
históricas e até mesmo as mais novas começaram a despertar suas igrejas
locais, e o resultado foi estrondoso: o Brasil tornou-se
indubitavelmente um dos três maiores celeiros missionários do mundo.
Hoje, porém, é evidente que há uma “baixa” no despertamento missionário.
Tenho percorrido organizações missionárias e percebo que elas já não
recrutam obreiros com a mesma facilidade que tinham alguns anos atrás.
As conferências missionárias ainda acontecem, mas são mais escassas e já
não contam com super produções. Isso pode ser positivo por um lado,
visto que o modismo missionário está acabando. Mas estamos colhendo um
fruto amargo: a igreja brasileira vive uma crise vocacional.
Quando falo em crise vocacional, eu sequer estou focando na qualidade
dos vocacionados. Me preocupo, a priori, é com a quantidade mesmo. Os
seminários teológicos multiplicaram seus cursos noturnos, justamente
para adequar a demanda de alunos que não abdicariam de suas outras
atividades para se preparar ministerialmente. Este é o perfil do novo
mercado das escolas de teologia. Os institutos bíblicos já não são uma
realidade forte nos centros urbanos, e as organizações de treinamento
missionário também têm tido dificuldades para levantar candidatos.
Somente em 2010, até agora, três compromissos foram cancelados em minha
agenda por escolas missionárias que suspenderam seus programas, alegando
a falta de alunos.
O que teria provocado essa crise vocacional? Por que nossos jovens não
são mais “chamados” como antigamente? Foi Deus quem parou de chamar ou
foi a igreja que parou de atender? Não tenho todas as respostas, mas
seguem alguns pensamentos.
1. A “Missiologização” da Tarefa Cristã Cotidiana
Eu creio que todo cristão é chamado. A Bíblia diz com clareza que Cristo
nos reconciliou para que nós sejamos portadores da mensagem da
reconciliação (2 Coríntios 5:18-20). Todo estudante deve ser missionário
no contexto acadêmico, todo profissional é pregador no trabalho, e
assim por diante. Mas o chamado ministerial específico é uma realidade
bíblica incontestável.
Acontece, porém, que o discurso da igreja brasileira tem tomado um
formato exclusivamente local no que tange à sua missão. O primeiro fator
que tenho identificado como o causador da nova crise vocacional
brasileira é que a igreja tem t em atribuído à proclamação cristã
cotidiana um peso missiológico que substitui o envio missionário. “Somos
chamados para fazer missões aqui, no nosso contexto, e essa é a única e
verdadeira missão”.
A proposta deveria ser mais equilibrada, deveríamos fazer essa sem
omitir aquelas (Mt. 23:23). Missões locais são incompletas sem a
perspectiva transcultural, e vice-versa. Ministros bivocacionais são
importantes, mas não eliminam a necessidade dos ministros em tempo
integral no Reino. Na maioria dos encontros missionários que tenho
participado, tenho visto temas como: “Eu, missionário onde estou”.
Precisamos desse enfoque, sem dúvida. Mas precisamos ainda de
missionários que saiam de onde estão e se dediquem integralmente a
cumprir este chamado em lugares onde ninguém está. A perspectiva
vocacional missionária transcultural não pode morrer.
Quanto à tarefa local, essa é para todo cristão. Não é preciso ir a um
seminário, nem ter ouvido nada específico num “culto da fogueira”. Se
somos cristãos, somos responsáveis pela proclamação do evangelho de
Cristo. A vocação missionária específica continuará acontecendo, para
alguns, que irão enviados pela igreja vocacionada.
2. Escassez de modelos positivos, contagiantes e desafiadores
Fui missionário na China, e meu chamado se deu em etapas. Primeiro, um
grande ardor missionário começou a brotar em meu coração quando eu
estudava no seminário teológico. Eu tinha ido ao seminário para ser
pastor – na verdade, era o único formato de ministério integral que eu
conhecia. Através de uma viagem missionária de curto prazo, vi que eu
tinha uma vocação missionária transcultural.
A partir disso, Deus continuou a falar comigo das mais diversas formas.
As histórias da igreja sofredora começaram a inundar meu coração, e fui
percebendo que Deus estava me direcionando para apoiar esses irmãos que
sofrem perseguição e pobreza, muitas vezes por causa de sua fé. Mas o
interessante nisso tudo é que Deus usou homens: alguns
missionários-modelo foram o “isqueiro” que Deus usou para acender a
chama em meu coração.
No caso específico da China, meu vínculo foi com Hudson Taylor, um dos
mais influentes obreiros da história das missões modernas, e Jorge
Vendramini, um amigo pessoal, brasileiro, que vive na China há 20 anos.
Portanto, um passado, outro presente; um morto, outro vivo. Suas
histórias, sua paixão, seu envolvimento com a igreja chinesa, tudo isso
foi somando no meu coração o desejo de viver e morrer por essa causa.
Pela graça de Deus, vi jovens se despertarem para missões através de
exemplos humanos. Por graça maior, vi o meu próprio exemplo servir de
inspiração para alguns. O problema é que essa inspiração também tem sido
escassa.
Por um lado, a inspiração não ocorre por culpa da própria igreja. O
modismo missionário foi acabando, de forma que os obreiros
transculturais já não são vistos como versões cristãs do Indiana Jones.
Já é comum demais dizer que um missionário foi preso por conta do
evangelho, que alguém traduziu a bíblia para outra língua, ou que alguma
irmã abdicou da vida urbana para viver entre os índios. As histórias
caíram na monotonia, e a igreja, que valorizava mais o heroísmo que a
essência ministerial da missão, tem visto que nada mais comove seus
membros.
Por outro lado, e sendo propositadamente genérico, há casos em que os
missionários têm uma parcela de culpa, e aqui me refiro aos relatórios e
à comunicação. Tenho visto depoimentos missionários que não inspirariam
ninguém a querer ser missionário. Alguns falam tanto em tragédia, em
privações, em limitações e em sofrimento que acabam por fazer o
marketing negativo acerca da vocação. Já vi jovens dizerem que têm uma
vida incompleta na igreja, pois sabem que deveriam estar no campo
missionário mas não foram por medo de passar fome. Pois é isso que
ouviram.
É árduo o trabalho missionário. É preciso tomar a cruz para seguir esse
caminho. No entanto, narrar tragédia após tragédia não glorifica a Deus,
nem descreve em absoluto o que acontece no campo missionário. Para
falar da China por exemplo, eu tenho a opção dizer que a igreja chinesa
sofre perseguição, e mencionar exaustivamente a história de pastores
chineses que vi sendo presos e separados da família. Muitos poderiam se
comover, mas poucos iriam querer se envolver com isso. Por outro lado,
eu posso focar em outra verdade, tão verdadeira quanto a primeira e que
enleva muito mais a glória de Cristo: a igreja chinesa é a mais
crescente igreja do mundo, e os cristãos chineses são missionários
extremamente comprometidos que têm servido a Deus como verdadeiros
guerreiros! Vejo que isso encoraja mais que o foco no sofrimento.
3. Decepção com os rumos e prioridades da igreja
A igreja brasileira vive um combinado de crises. Há uma crise de
identidade, pois antigos conceitos outrora simples, como “evangélico” e
“protestante” têm ficado cada vez mais difíceis de discernir e mensurar.
Não se sabe quem é quem. Há uma crise de integridade, uma vez que a
maioria dos problemas da igreja brasileira têm sua raiz no dinheiro e em
outros elementos que afetam diretamente a moralidade. E há uma crise de
interesses, intenções e prioridades.
Hoje, não é fácil afirmar quais são as igrejas e denominações
efetivamente envolvidas com a obra missionária, mesmo porque “qualquer
coisa” poderia ser igreja e “qualquer coisa” poderia ser obra
missionária. O problema é que, em geral, nem os membros das igrejas
sabem até que ponto suas igrejas sonham e investem em missões.
Uma conversa recente revelou isso. Uma jovem me disse que queria ser
missionária. Eu perguntei se ela tinha apresentado sua intenção ao seu
pastor. Ela me falou que não, pois seu pastor não tinha visão
missionária e não investiria em seu chamado. Por conta disso ela optara
por se calar.
Eu me surpreendi. A igreja dela contribui fielmente com nosso projeto no
Haiti, e o pastor dela sempre se mostrou alguém com o coração
missionário. Eu a encorajei a conversar com ele, e ela afirmou que não
sabia desse envolvimento missionário. Ela julgara pelo discurso que
ouve. No fim, ela arrematou dizendo que não percebe as igrejas de hoje
em dia preocupadas com isso, e achou que sua própria igreja estava
dentro do padrão.
Há uma falha de comunicação da parte da jovem, disso não tenho dúvida.
Mas a noção que ela tem da igreja brasileira, equivocada em seu caso
específico, não deixa de fazer sentido. A missão da igreja tem sido
outra, em linhas gerais. Esses rumos do evangelicalismo nacional acabam
não fornecendo as garantias vocacionais que a juventude precisaria para
abraçar o chamado. É complicado vislumbrar que alguém se envolva num
projeto dessa dimensão sem o respaldo espiritual, emocional e econômico
da igreja. E no caso de muitas igrejas, a moça teria razão.
4. Ausência de uma teologia prática de missão nos púlpitos
Todas essas razões anteriormente apresentadas estão vinculadas à
teologia missionária que tem sido apresentada nas igrejas. Missões
tornou-se, em muitos casos, um tema filosófico, pouco prático. Curioso
que hoje em dia é possível participar de um fórum de Missão Integral e
sair de lá sem qualquer pressuposto prático ou aplicável para fazer
missão integral em alguma comunidade do mundo real. Outra vez, minha
afirmação aqui consiste numa generalização.
Mas noto que o discurso missionário não tem sido eficaz no despertamento
missionário. Um dos motivos para tanto é que a pregação missionária não
oferece caminhos práticos para a preparação e o envio. As conferências
missionárias são eficazes para despertar contribuição missionária, mas
já não oferecem alternativas vocacionais.
Seria igualmente frágil uma perspectiva vocacional que partisse de um
discurso somente prático, sem fundamentação teológica ou missiológica
plausível e biblicamente atestável. Com esse tipo de proposta, talvez
seja possível mobilizar voluntários, mas não despertar missionários. No
entanto, o despertamento também exige que se apresente a realidade do
desafio, os passos e custos práticos, o treinamento apropriado, entre
outros. Precisamos apresentar a demanda missionária como uma alternativa
real de serviço.
Conclusões e Aplicações
Seria cinismo avaliar a condição vocacional da igreja de forma crítica,
como feito acima, sem oferecer pensamentos práticos que possam acender
luzes positivas. Na verdade, como já foi dito, não possuo todas as
respostas. Mas há valores que poderiam ser transformados no pensamento
missiológico da igreja.
Creio que a intenção de Deus seja ainda de utilizar-se de pessoas como
nós, em nossa fragilidade e limitação, chamando-nos para anunciar as
novas do Reino. Alguns passos práticos poderiam ser efetuados,
principalmente em se tratando de algumas alterações em nosso discurso
missiológico.
Primeiro, creio que precisamos falar de missões de forma mais próxima à
realidade da igreja local. Os irmãos que freqüentam a igreja têm que
ouvir falar em missões de maneira acessível, tangível às suas
realidades. As estatísticas e as tendências do mundo missionário podem
ser instrumentais na comunicação para o despertamento missionário. Mas,
por si só, tais recursos não são suficientes. É preciso que o indivíduo
saia da igreja sabendo como pode preparar-se, envolver-se, contribuir e
orar diretamente. A igreja precisa identificar oportunidades plausíveis:
assim como se anuncia uma necessidade imediata da igreja local, como
vagas para professores de ministério infantil ou operadores de som, as
oportunidades missionárias devem ser listadas com clareza. E a igreja
sempre terá oportunidades vocacionais viáveis, se a obra missionária for
sua prioridade.
Um outro aspecto importante a ser pensado é a necessidade de
equilibrarmos as oportunidades de cumprimento da grande comissão. A
igreja precisa ter oportunidades de servir em Jerusalém, Judéia, Samaria
e confins da Terra (At. 1:8). Uma estratégia ainda válida é o uso de
viagens missionárias de curto prazo. Essa prática tem sido criticada por
uma linha missiológica que questiona a efetividade de um ministério
curto no campo. Em termos de efetividade, talvez tenham razão os
críticos. Em termos vocacionais, porém, eu fui chamado para o ministério
missionário a longo prazo após uma viagem missionária. Já vi este
movimento na vida de muitas pessoas.
Em minha experiência como pastor local, é possível viabilizar na igreja
grandes projetos de impacto em locais mais próximos, envolvendo várias
pessoas, como “Dia da Cidadania” e outros projetos. Nessas empreitadas,
universitários da igreja, bem como profissionais liberais, se envolvem
em missões e muitas vezes enredam num caminho ministerial sem volta!
Num contexto de média distância, temos enviado equipes de tamanho médio
ou pequeno. Vários jovens e profissionais da igreja já tiveram
experiências no sertão do nordeste, por exemplo, através do Projeto Água
Viva, um dos ministérios missionários vinculados á nossa comunidade.
Por último, várias pessoas da igreja também se envolvem em missões
transculturais. Através da Missão em Apoio à Igreja Sofredora, muitos
irmãos já viajaram ao Haiti, e em alguns casos temos visto vocações
missionárias começarem a emergir. O contexto do Haiti mudou em função de
uma viagem que um jovem fez por uma semana? Provavelmente, não muito.
Mas uma vocação missionária longa e frutífera pode estar surgindo.
Meu encorajamento aos pastores e líderes da igreja nacional é que
configuremos um discurso missionário que efetivamente levante obreiros
para a grande Seara. Nós temos uma responsabilidade crucial nesse
processo, e podemos sanar essa crise vocacional. Que Deus nos ajude
nesse caminho!
Ainda sou do tempo em que ser crente era motivo de críticas
e perseguições. Nós não éramos muitos, e geralmente éramos considerados
ignorantes, analfabetos, massa de manobra ou gente de segunda
categoria. Os colegas da escola nos marginalizavam. Os patrões zombavam
de nós. A sociedade criticava um povo que cria num Deus moral, ético,
decente, que fazia de seus seguidores pessoas diferentes, amorosas,
verdadeiras e puras. Não era fácil. Mas nós sobrevivemos e vencemos.
Sinto falta daquela perseguição, pois ela denunciava que a nossa luz era
de qualidade, e ofuscava a visão conturbada de quem não era liberto. E,
por causa dessa luz, muitos incrédulos foram conduzidos ao
arrependimento e à salvação. Mas hoje é diferente.
Ainda sou do tempo em que os crentes não tinham imagens em
suas casas, em seus carros ou como adereços de seus corpos. Nós não
tatuávamos os nossos corpos e nem colocávamos "piercings" em nossa pele.
Críamos que os nossos corpos eram sacrifícios ao Senhor, e que não nos
era lícito maculá-los com os sinais de um mundo decadente, um deus
mundano e uma cultura corrompida. Dizíamos que tatuar o corpo era
pecado. Não tínhamos objetos de culto em nossas igrejas. Aliás, esse era
um de nossos diferenciais: nós éramos aqueles que não admitiam imagens
em lugar algum. Mas hoje é diferente.
Ainda sou do tempo em que pornografia era pecado. Nós não
considerávamos fotos eróticas ou filmes pornô um "trabalho
profissional", mas uma prostituição do próprio corpo e uma corrupção
moral. Ao nos convertermos, convertíamos também os nossos olhos, e
abandonávamos as revistas pornográficas, os cinemas de prostituição e os
teatros corrompidos. Os que eram adúlteros se arrependiam e pagavam o
preço do que fizeram, e começavam vida nova. Os promíscuos mudavam seu
comportamento e tornavam-se santos em todo o seu procedimento. Nós, os
adolescentes, deixávamos os namoros e os relacionamentos orientados
pelos filmes mundanos, e primávamos por ser como José do Egito, que foi
puro, ou o apóstolo Paulo, que foi decente. Mas hoje é diferente.
Ainda sou do tempo em que nos vestíamos adequadamente para o
culto. Aliás, além do nosso testemunho moral, nós nos identificávamos
pelas roupas. Se pentecostais, usávamos roupas sociais bastante formais,
e éramos conhecidos aonde quer que íamos, pois ninguém mais se vestia
tão formalmente assim em pleno domingo à tarde. Se de outras
denominações, como eu, não chegávamos a esse extremo, mas nos trajávamos
socialmente, com o melhor que tínhamos, dentro de nossas
possibilidades, porque críamos que, se íamos prestar um culto a Deus, a
ocasião nos exigia o melhor, e buscávamos dar o melhor para Deus. Era a
famosa "roupa de missa", "roupa de igreja". Mesmo pobres, tínhamos o
melhor para Deus. E sempre algo decente: camisas sociais, calças bem
passadas, um sapato melhor conservado, um blaizer ou uma blusa bem
alinhada. As mulheres usavam seus melhores vestidos, suas melhores saias
e seus conjuntos mais femininos. Mas hoje é diferente.
Ainda sou do tempo em que nossos hinos falavam de Cristo e
da salvação. Cantávamos muito, e nossas músicas não eram tão complexas
como as de hoje. Mas todos acabávamos por decorá-las. Suas mensagens
eram simples e evangelísticas: "foi na cruz, foi na cruz", "andam
procurando a razão de viver"; "Porque Ele vive, posso crer no amanhã",
"Feliz serás, jamais verás tua vida em pranto se findar", "O Senhor da
ceifa está chamando"; "Jesus, Senhor, me achego a ti", "Santo Espírito,
enche a minha vida", "Foi Cristo quem me salvou, quebrou as cadeias e me
libertou", etc. Não copiávamos os "hits" estrangeiros, ou as danças
mundanas, mas buscávamos algo clássico, alegre, porém, solene. E dançar o
louvor? Jamais! Não ousávamos, nem queríamos; nunca soubéramos que o
louvor era "dançante"; as danças deixamos em nossas velhas vidas
mundanas. Porém, mesmo não as tendo, éramos alegres e motivados. Mas
hoje é diferente.
Ainda sou do tempo em que as denominações e igrejas tinham
personalidade. As denominações eram poucas e bastante homogêneas.
Sabíamos que a Assembléia de Deus era pentecostal e usava indumentária
formal; os presbiterianos eram os melhores coristas que existiam; os
adventistas tinham uma fé estranha, numa profetiza semi-contemporânea,
mas tinham os melhores quartetos masculinos; os melhores solistas eram
batistas, etc. Nossas liturgias eram bastante diferentes: os
conservadores eram formais, seus cultos silenciosos, enquanto um orava,
os outros diziam amém. Já os pentecostais oravam todos ao mesmo tempo e
cantavam a Harpa Cristã. Nós nos considerávamos irmãos, não há dúvida.
Mas tínhamos personalidade. Hoje tudo é diferente.
E eu não sou velho! Isso tudo não tem 26 anos ainda! Na
década de 80 ser crente era ser assim! Meu Deus, como o mundo mudou!
Como a chamada Igreja Evangélica se deteriorou! Hoje eu sinto vergonha
de ser considerado evangélico!
Hoje é moda ser crente, ou melhor, "gospel". Você é artista
pornò, mas é crente. Você é do forró pé-de-serra, mas é crente. Você é
ladrão, mas é crente. Você é homossexual assumido, mas é crente. Não
importa a profissão, o comportamento, a moral, a índole, ser crente é
apenas um detalhe. Aliás, dá cartaz ser crente: hoje muitos cantores
"viram crentes" pra vender seus cds encalhados, pois o "povo de Deus"
compra qualquer coisa. Não há diferença entre o santo e o profano, o
consagrado e o amaldiçoado, o lícito e o proibido, o justo e o injusto.
Qualquer coisa serve. O púlpito pode ser uma prancha de surf, uma cama
de motel ou um palanque eleitoral; a forma não importa. Ser crente é
apenas um detalhe, uma simples nomencalatura religiosa.
Criamos nossos próprios símbolos, nossos próprios estigmas e
nossas próprias tribos. Hoje há denominações que dão opções de símbolos
para que seus jovens se tatuem. O "piercing" deixou de ser pecado, e
passou a ser "fashion", e está pendurado na pele flácida de roqueiros
evangélicos e "levitas" das igrejas, maculando a pureza de um corpo
dedicado ao Deus libertador. Mulheres há que enchem seus umbigos e
outras partes de pequenas ferragens, repletas de vaidade e erotismo
mundano, destruindo, assim, qualquer padrão cristão de consagração
corporal. Meninos tingem seus cabelos de laranja, e mocinhas destróem
seus rostos com produtos, pois agora todo mundo faz, e "Deus não olha a
aparência". (Ainda bem, pois se olhasse, teria ânsia de vômito...)
Hoje ir à igreja é como ir ao mercado ou às barracas de
feira e de artesanato: um evento efêmero, informal, meramente turístico.
Não há mais cuidado algum no trajo cultuante. Rapazes vão de bermudas,
calções (e, pasmem os senhores, de sungas!), até sem camisa, porque Deus
não é "bitolado, babaca ou retrógrado". Garotas usam suas minissaias
dos "rebeldes" e exibem umbigos cheios de "piercings", estrelinhas e
purpurinas pingando dos cabelos e roupas, numa passarela contínua do
modismo eclesiástico. Se alguém ainda vai modestamente ao culto, seja
jovem, seja velho, ou é "novo convertido", ou é "beato". É típico
encontrarmos pastores dizendo aos "engravatados": "pra que isso, irmão?
Vai fazer exame laboratorial?" E, continuamente, vão demolindo qualquer
alicerce de reverência e solenidade para o ato do culto.
Hoje as nossas músicas pouco falam de Cristo. Somos
bitolados por um amontoado de "glórias", "aleluias", "no trono", "te
exaltamos", "o teu poder", etc. Misturamos essas expressões, colocamos
uma pitada de emoções, imitamos os ícones dos megaeventos de louvores, e
gravamos o nosso próprio cd, que, de diferente, tem a capa e o timbre
de algumas vozes, talvez alguns instrumentos, mas, no mais, não passam
de cópias das cópias das cópias. E Jesus? Ah, quase nunca o mencionamos,
e, quando o fazemos, não apresentamos qualquer noção do que Ele é ou
representa para o nosso louvor. Não falamos mais que Ele é o caminho, a
verdade e avida, não o apresentamos como Senhor e Salvador, não
informamos ao ouvinte o que se deve fazer para tê-lo no coração, apenas
citamos seu nome ou dizemos um aleluia para ele.
Hoje, entrar em uma igreja é como ter entrado em todas: é
tudo igual. O mesmo sistema, as mesmas cantorias, a seqüência de
eventos, os rituais emocionais, as pregações da prosperidade, de
libertação de maldições ou de megassonhos "de Deus" (como se Deus
precisasse sonhar, como se fosse impotente ou dependente da vontade
humana). Transformamos nossas igrejas em filiais de uma matriz que não
sabemos nem aonde fica, mas que se representa nas comunidades da moda.
Não há mais corais, não há mais solistas, não há mais escolas dominicais
fortes, não há mais denominações com características sólidas, não há
mais nada. Tudo é a mesma coisa: uma hora e meia de "louvor", meia hora
de "ofertas" e quinze minutos de "pregação", ou meia hora de "palavra
profética e apostólica". Que desgraça!
Hoje trouxemos os ídolos de volta aos templos: são
castiçais, bandeiras de Israel, candelabros, reproduções de peças do
tabernáculo do velho testamento, bugigangas e quinquilharias que
vendemos, similares aos escapulários católicos que tanto criticávamos.
Hoje não nos atemos a uma cruz sem Cristo, simbólica apenas. Hoje temos
anjinhos, Moisés abrindo o Mar Vermelho, Cristo no sermão da Montanha. O
que nos falta ainda? Nossas bíblias, para serem boas, têm que ser do
"Pastor fulano", com dicas de moda, culinária, negócios e guia
turístico. Hoje temos bíblias para mulheres, para homens, para crianças,
para jovens, para velhos, só falta inventarmos a bíblia gay, a bíblia
erótica, a bíblia do ladrão, a bíblia do desviado. Bíblias puras não
prestam mais. E, mesmo tendo essas bíblias direcionadas, QUASE NINGUÉM
AS LÊ! Trazemos rosas para consagrar, rosas murchas para abençoar e
virar incenso em casa, sal groso para purificar, arruda para encantar,
folhas de oliveira de Israel e água do Rio Jordão (Tietê?) para
abençoar, vara de Arão, de Moisés, e sabe lá de quem mais! Voltamos às
origens idólatras! Parece o povo de Israel, que, ao morrer um rei justo,
emporcalhavam o país com suas idolatrias e prostitutas cultuais. E se
alguém ousa ser autêntico, é taxado de retrógrado. Com isso, surgem os
terríveis fundamentalistas, que abominam tudo, ou os neopentecostais,
que são capazes de transformar a igreja num circo, fazendo o povo rir
sem parar ou grunir como animais.
Meu Deus, o que será daqui há alguns anos? Será que teremos
que inventar um nome novo para ser evangélico à moda antiga? Parece que
batista, assembleiano, presbiteriano, luterano ou metodista não define
muita coisa mais! Será que ainda haverá púlpitos que prestem, pastores
que pastoreiem, louvores que louvem a Deus? Será que seremos obrigados a
usar "piercing" para nos filiarmos a alguma igreja? Será que nossos
cultos serão naturistas? Será que ainda haverá Deus em nosso sistema
religioso?
É CLARO QUE HÁ EXCEÇÕES! E eu bendigo a Deus porque tenho
lutado para ser uma dessas exceções. É claro que o meu querido leitor,
pastor, louvador, membro de igreja, missionário, também tem buscado ser
exceção. Mas eu não podia deixar de denunciar essa bagunça toda, esse
frenesi maligno, esse fogo estranho no altar de Deus! Quando vejo
colegas cuspindo no povo, para abençoá-los, quando vejo pastores dizendo
ao Espírito Santo "pega! pega! pega!", como se fosse um cachorrinho,
quando vejo pastores arrancando miúdos de boi da barriga dos incautos
doentes que a eles se submetem, quando vejo um evangelho podre
arrastando milhões, quando vejo colegas cobrando dez mil reais mais o
hotel, ou metade da oferta da noite, para pregar o evangelho, então eu
me humilho diante de Deus, e digo: "Senhor, me proteje, não me deixa ser
assim!"
"Certa
mãe carregando nos braços um bebê, entrou num consultório médico e, diante
deste, começou a lamuriar-se:
– Doutor, o senhor precisa me ajudar num problema muito sério. Este meu bebê
ainda não completou um ano e estou grávida de novo! Não quero filhos em tão
curto espaço de tempo, mas sim num espaço grande entre um e outro.
Indaga o médico:
– Muito bem... e o que a senhora quer que eu faça?
A mulher, já esperançosa, respondeu:
– Desejo interromper esta gravidez e quero contar com sua ajuda.
O médico pensou alguns minutos e disse para a mulher:
– Acho que tenho uma melhor opção para solucionar o problema e é menos perigoso
para a senhora.
A mulher sorria, certa que o médico aceitara o seu pedido, quando o ouviu
dizer:
– Veja bem, minha senhora... para não ficar com dois bebês em tão curto espaço
de tempo, vamos matar este que está em seus braços. Assim, o outro poderá
nascer... Se o caso é matar, não há
diferença para mim entre um e outro. Até porque sacrificar o que a
senhora tem nos braços é mais fácil e a senhora não corre nenhum risco.
A mulher apavorou-se:
– Não, doutor!!! Que horror!!! Matar uma criança é crime!!! É infanticídio!!!
O médico sorriu e, depois de algumas considerações, convenceu a mãe de que não existe a menor diferença entre matar uma
criança ainda por nascer (mas que já vive no seio materno) e uma já crescida.
O crime é exatamente o mesmo e o pecado, diante de Deus, exatamente o mesmo."
* * *
"Ai
dos que chamam de mau aquilo que é bom e que chamam de bom aquilo que é mau;
que fazem a luz virar escuridão e a escuridão virar luz; que fazem o amargo
ficar doce e o que é doce ficar amargo! Ai dos que acham que são sábios, dos
que pensam que sabem tudo!"- Isaías 5:
20 e 21
Sou grata a Deus pela provisão diária, bem como pelos novos desafios para 2010. Para glória de Deus quando estive no Níger no início do ano, nos foi concedido o visto de um ano. Outra vez, nos abençoou o Senhor e, as oportunidade de servir nos foi proposta mais uma vez. Agora nosso Desafio é bem menor, temos pouco mais de quarenta e cinco dias para arrecadar R$ 6.500,00 [seis mil e quinhentos reais]; para a nossa passagem e manutenção pelo período de três meses; O valor inclui: transporte + acomodação missionária, (com direito a ventilador + alimentação; café da manhã, almoço e jantar). Viajaremos segundo a benevolência do Pai, dia 17 de Novembro/2010.
Lançamos esta campanha entre amigos da rede de relacionamento através deste link Vakinha é apenas um meio de compartilhar e envolve-los na seara. Quero aproveitar a oportunidade para agradecer seu envolvimento, nas orações, contribuições e principalmente por nos acompanhar no cumprimento do Ide do Mestre Jesus.
Motivos de Louvor e Oração:
* Por esta oportunidade ímpar em minha vida.
* Por pelo aprendizado do idioma [francês].
* Por toda equipe dos Guerreiros de Deus e os missionários Alexandre e Giovana Canhoni *Louvor e agradecimento a todos quantos fazem parte desta missão.
Que neste ano o Senhor nos dê ainda maiores vitórias. Ele é a nossa Pedra de Ajuda!
Seja meu Mantenedor no campo:
BANCO BRADESCO S/A
AGÊNCIA: 212 - 7
C/POUPANÇA: 85539 -1
Favorecido: Jussara de Macedo Araújo
--
"O homem que não está disposto a morrer por uma causa não é digno de viver".
Martin Luther King
A noticia triste chegou às
igrejas provocando surpresa e alguma revolta. A família missionária inteira
tinha se perdido. Mortos sem apelação, em pleno campo de atividade.
Depois de anos de trabalho árduo e dedicado, morriam para a obra sem deixar sucessores.
Logo surgiram várias vozes reclamando de tal situação. Como aceitar a
eliminação de uma família tão valiosa? Como substituí-los depois de tão grande
perda? Como encontrar os culpados? As respostas eram poucas. Só o que se sabia
e era fato consumado é que alguém tinha matado os missionários...
Este episódio não se refere a
nenhuma família missionária particular e ao mesmo tempo a várias. Não estou
falando de nenhum atentado perpetrado por um fanático religioso. Tampouco falo
da morte física de missionários no campo. Estou falando da perda de obreiros
para a obra. De famílias inteiras que seguiram um dia para o campo, cheios de
expectativas e por vários motivos foram na prática, mortos no trabalho. Falo de
obreiros que voltam ao seu país de origem para desaparecer da história de
missões e por vezes até da vida das igrejas. Alguém está matando missionários...
Quem está matando os missionários? Os culpados são membros de igrejas, alguns
são até líderes em suas denominações. São igrejas e crentes que matam missionários
por suas atitudes, desinteresse e falta de amor cristão. Eis algumas das armas
usadas em tais assassinatos:
1) Sustento Inadequado ou
Atrasado
A Bíblia é clara, desde o Antigo
Testamento, ao falar da honra devida aos obreiros e de seu salário correto. Os
sacerdotes tinham sido protegidos com leis que lhes permitissem uma vida
condigna já que se dedicavam á obra do Senhor. No Novo Testamento novamente há
várias menções disso. A Igreja devia cuidar de seus pastores e missionários.
Apesar disso ainda há hoje na igreja aqueles que desprezam o trabalho no
ministério e que entendem que pastor e missionário tem mesmo é que ser pobre e
passar necessidade.
Se um missionário chegar a uma igreja vestindo uma roupa melhor é escândalo.
Onde já se viu um obreiro bem vestido? Como é que seus filhos têm tênis de
marca? Obreiros têm que aparecer com roupa usada, gasta, remendada talvez, mas
limpinha. Essa mentalidade mata missionários!
Muitos obreiros têm sofrido
porque suas igrejas não levantam um sustento condigno. Gostam de dizer que o
missionário deve viver pela fé. Mas o que a palavra diz é que o justo viverá da
fé. Não é só o missionário. O estimado irmão que despreza o ministério também
quer ser chamado de justo? Então também deve viver da fé.
O missionário pode viver com
salário abaixo do mínimo, pode se sustentar como der, pode criar os filhos em
condições difíceis, pode receber o salário sempre atrasado. Essa atitude
mata missionários porque lhes tira as condições de concentração no trabalho.
Você conseguiria se dedicar ao seu trabalho se tivesse dúvida sobre se a
família vai ou não comer no fim de semana? Já ouvi muita gente criticar
pastores e missionários por perderem os filhos para o mundo. Estou certo de que
esses líderes terão suas responsabilidades. Mas não esqueçamos que em muitos
desses casos esses filhos se perderam porque igrejas e crentes mesquinhos não
deram sustento condigno aos obreiros levando a que seus filhos crescessem
revoltados. Estão matando missionários...
Hoje há muita preocupação quanto à aposentadoria. Quem tem possibilidade
faz uma aposentadoria privada para segurar o futuro. Mas ainda existem
obreiros, pastores e missionários que nem a aposentadoria normal tem.
Conhecemos muitos casos de servos de Deus que, por culpa de suas igrejas, vivem
hoje em grande aperto, numa velhice dificultada por falta de visão e amor
cristão. Estão matando missionários!
Já vi com meus olhos a atitude de
muitos na hora de dar um presente ao missionário. Roupa usada, sabonete de
terceira qualidade e pasta de dente de marca desconhecida. E ainda acham que
estão fazendo muito! E ainda acham que o missionário deveria ficar muito
feliz!? Esse tipo de mentalidade está realmente matando missionários!
2) Exigência Inadequada de Resultados
Se há uma coisa que mata é a
comparação injusta. Desde sempre que aprendemos a cobrar resultados humanos de
um trabalho que é Divino, resultados materiais de um trabalho que é espiritual.
Comparamos missionários, pelos resultados em termos de batismo, convertidos, número
de membros de suas igrejas, trabalhos novos implantados. Há relatórios que são
exigidos e que se baseiam unicamente em números. Isso tem matado muitos
missionários.
Precisamos entender que cada
campo é uma realidade própria. Cada obreiro tem seu perfil e temperamento.
Comparar um obreiro que trabalha com povos animistas já devidamente
evangelizados com outro que faz trabalho pioneiro entre muçulmanos é forçar uma
situação não apenas injusta, mas irracional. Há campos que estão maduros em
termos de evangelização e outros onde ainda se estão tirando pedras.
Durante décadas houve trabalho
missionário na região leste da Guiné-Bissau, com resultado aparentemente nulo.
Os povos muçulmanos ali não se convertiam. As missionárias que ali ministravam
davam testemunho exemplar e choravam diante do trono de Deus por almas. Mas
nada viram... Quando chegamos lá e pudemos ter a alegria de plantar uma igreja
em apenas 5 anos, não foi porque fossemos melhores, mas porque um trabalho
fundamental fora feito. Paulo plantou, Apolo regou e Deus deu o crescimento (I
Coríntios 3:6).
Boa parte do trabalho espiritual
de um missionário e pastor passam por coisas que não têm medida, como
a oração, o jejum, meditação na palavra, testemunho de vida e de família.
Devemos aprender a respeitar os servos fiéis que pagam o preço da perseverança
para ver alguns resultados. Paulo plantou muitas igrejas, mas em Atenas a hora
não era chegada e alí ele não deixou igreja e teve aparentemente pouco sucesso.
Vamos deixar de lado as comparações, as exigências inadequadas. Há que avaliar
os obreiros sim, mas isso requer mais que números em um formulário. Pelo bem
dos campos e da obra deixemos de comparações, deixemos de matar missionários.
3) Férias Exaustivas
Todo mundo gosta de férias.
Durante as quais descansamos, nos distraímos, conhecemos outras realidades ou
simplesmente fazemos aquilo que mais gostamos além de dormir mais que o
habitual. Todo mundo sonha com as férias. O missionário por outro lado sonha
com o fim das férias!! Conheci mesmo missionários que ficavam em
verdadeira crise de nervos quando as férias se aproximavam.
Férias para o missionário é
sinônimo de trabalho dobrado, viagens desgastantes, noites mal dormidas,
inquéritos intermináveis e separação familiar. Os missionários são, em regra,
submetidos a um programa inclemente de promoção missionária em que viajam para
lugares desconhecidos, ficam em casas de pessoas desconhecidas para falar em
igrejas que muitas vezes nada sabem deles e onde alguns pastores nem estão
muito interessados num missionário que poderá desviar as ofertas que ele
precisa para a construção do novo templo.
Posso parecer um pouco cáustico
nessa descrição, mas acredite, sei de primeira mão do que estou falando. Tive
muitas férias assim... É verdade que encontramos famílias maravilhosas e casas
que nos recebem como príncipes. É verdade que há igrejas interessadas e
pastores que amam a obra. Mas é verdade também que nas férias o missionário
fica longe da família, dorme cada noite num lugar diferente e enfrenta auditórios
diferentes seguidas vezes, para falar sempre a mesma coisa. No fim, está
esgotado e aí é hora de voltar ao campo e trabalhar duro, pois afinal acabou de
ter seu tempo de férias... Depois de alguns anos deste regime ainda se admiram
com a afirmação que estão matando missionários.
Soluções:
Não quero terminar esta reflexão com nota negativa. Podemos e devemos salvar
nossos missionários dessas armas de exterminação de obreiros. Nem será assim
tão difícil.
De que precisamos para mudar esta
triste realidade?
»1º de salários dignos desse nome, que permita aos missionários se concentrarem
na obra em vez de no sustento, que cheguem a tempo e horas e que se façam
acompanhar de algum incentivo ocasional;
» 2º de avaliações mais
condizentes com a missiologia, que deixem de lado comparações numéricas,
respeitando a realidade de cada missionário e mais baseadas em vida e
testemunho que em estatísticas;
» 3º de férias de verdade,
onde o obreiro tem tempo com a família para descansar, relaxar e recarregar as
baterias. Que a promoção fique para outra época, dentro do tempo de trabalho do
obreiro porque é na verdade trabalho e do pesado.
Que estas idéias possam auxiliar
nossas igrejas, obreiros e líderes a rever certos conceitos porque na verdade
está na hora de parar de matar missionários.
Cedido pelo Autor:Dr. Joed Venturini Sintra, Massamá, Portugal, Médico, Mestre em Missiologia, Escritor e
Conferencista